Capitulo 1

REGULAMENTO TÉCNICO-DESPORTIVO DE VOO LIVRE EM PARAPENTE

Programa de Instrução Teórica

Para se praticar a maioria dos desportos não é necessário que o praticante tenha alguma experiência prévia. Embora não seja necessário possuir algum conhecimento técnico, é necessário que o candidato a piloto se conheça a sí próprio e saiba responder porque razão pertende voar em Parapente. Se deseja voar para desafiar o perigo, se desejas mostrar aos amigos que consegue; ou se apenas tens inveja dos pássaros, o voo Livre não é para ele. Este desporto deverá ser apenas para aqueles que querem verdadeiramente voar, que estejam dispostos a começar pelos principios básicos, aceitar os ensinamentos e conselhos do instrutor e dos pilotos experiêntes, respeitar os elementos, cuidar adequadamente do seu equipamento, estar sempre disposto a ajudar e a colaborar com os demais pilotos, e acima de tudo estar consciente das suas própias limitacões.

"Quando voamos, nem sempre temos a presença de espirito para analisar o porquê de tudo o que acontece quando realizamos este acto. O simples acto de agarrar no arnês tem algo de especial, que funciona um pouco como uma porta que nos desliga do mundo de quem anda a pé.(…)
No fim, todos nos encontramos sentados nos nossos arneses mais ou menos confortáveis, mais ou menos ajustados à nossa fisionomia.

Acto continuo, depois de sentado, a cabeça levanta-se à procura de um objectivo para justificar tal ritual de equilibrismo e é quando a asa se levanta por cima da cabeça, que tudo parece fazer sentido, uma sensação de prazer instala-se, algo que quem nunca voou em Parapente não poderá experimentar, nem no simulador virtual mais avançado.(…)
Todos conseguem voar de parapente, mas nem todos experimentaram o que é ser livre aos seus comandos.

Atingir uma certa relação com a máquina, que faz os bens materiais paracerem completamente obsoletos, deixando de ser ferramentas ao nosso serviço e passar a fazer parte integrante do nosso corpo. Voar deixa de ter o mesmo significado que tinha nos nossos sonhos. A natureza estende uma mão por debaixo de quem conseguiu atingir a plenitude."

É verdade, há que dizê-lo, nós os amantes do Parapente somos uma minoria, mas como se diz, mais vale poucos e bons do que… Mesmo dentro desta minoria existem interesses diferentes, sendo a asa o único elemento comum entre todos.

O Parapente não é só voar, o Parapente, para alguns, é uma forma de estar na vida. Há que respeitar todas as formas de estar e não esquecer nenhuma delas. Neste mundo do Parapente há lugar para todos, sendo cada um feliz à sua maneira.

Assim o Parapente:

  • Para uns é descobrir e desbravar novos locais de voo por esse Portugal esquecido, sozinhos ou na companhia de amigos, contactando as simpáticas gentes dessas nossas aldeias remotas, numa profunda paz interior.
  • Para uns é é poder participar em competições, para conquistar um lugar entre os primeiros, para obterem fama, reconhecimento e taças.
  • Para uns é participar nos encontros organizados e assim fazer novas amizades, conhecer outros espaços e estar entre os que gostam de voar.
  • Para uns é entar em competições muito simplesmente para participar. Estar no evento, ao lado dos campeões, competindo apenas consigo próprio.
  • Para uns é pegar na asa e com ela aprender a fazer acrobacias.
  • Para uns é ultrapassar aquela "barreira" psicológica que durante tanto tempo parecia impossível, ou fazê-lo à frente dos outros com o coração a explodir dentro do peito, mas saboreando o êxtase do sucesso.
  • Para uns é voar calmamante numa falésia junto ao mar e beber a brisa da manhã de Domingo na cara, exibindo ou não aquela asa nova colorida.
  • Para uns é levar toda a família a voar em Parapente bi-lugar e com eles descobrir uma nova vida em convívio, uma forma mais nobre de ocupar os tempos livres.
  • Para uns é ter um Parapente e com isso poder ser reconhecido como um aventureiro, um radical do desporto, um atleta.
  • Para uns é comprar o Parapente mais "high-tech" e tê-lo imaculado sob uma redoma na sala de estar, comtemplando-o dias a fio, devorando todas as revistas da especialidade na busca da última criação tecnológica. Voar nele não é importante, até porque se vai sujar.
  • Para uns é voar sempre que possível, acumulando horas de voo intermináveis, e chegar a casa e esquecer-se do Parapente num qualquer canto da garagem ou arrecadação.
  • Para uns é saber tudo o que há para saber sobre Parapentes e passar tardes a discutir sobre qual a melhor asa, o melhor arnês, o futuro das asas ou a actual forma do campeão Mundial, da loucura dos pilotos que praticão acrobacia.
  • Para uns é ter um Parapente dito barato e lavá-lo a fazer o que aqueles que têm Parapentes ditos sofisticados não conseguem, e poderem provar que o que verdadeiramente interessa é o piloto e não o material.
  • Para uns é viajar de Parapente ou à boleia, em total autosuficiência durante semanas, expedicionando vários países ou regiões, engrandecendo o seu conhecimento de outros horizontes, de outro povos e de si próprio.

“Que todos pintem o céu nos próximos tempos.”


Programa de Instrução Teórica

A instrução teórica estende-se por aulas ministradas em campo, nas fases iniciais do curso, procurando desde logo desenvolver a sua aplicação na prática do desporto.

Matérias em foco:

* Regulamento Técnico-desportivo de Voo Livre em Parapente
* Generalidades / Nomenclatura / O voo
* Aerodinâmica / Técnica de voo / Segurança
* Meteorologia / Aerologia
* Legislação aeronáutica / Regras / Regulamentos

 

 

Normas dos cursos

Pontualidade:

Na medida do possível o instruendo deve tentar cumprir os horários previstos de forma a não prejudicar o correcto funcionamento das aulas. O curso deverá ser feito com a maior continuidade possível e uma vez feita a marcação, o instruendo compromete-se a comparecer na aula.

Companheirismo e entreajuda:

Para um melhor processamento da instrução prática, cada equipamento será utilizado por diversos instruendos em simultâneo, ficando o rendimento da sessão dependente da sua entreajuda.

Cuidados com o material:

Os vários equipamentos deverão ser tratados com todo o cuidado necessário, para que possam ser sempre utilizados em perfeitas condições.

Obediência ao instrutor:

Sempre que não seja possível um esclarecimento imediato, o instruendo deverá obedecer prontamente à indicação do instrutor e só posteriormente expor a sua dúvida.

Comportamento correcto:

A disciplina e o respeito são determinantes no processo de instrução.

Licença de Aprendizagem:

Cumpre à Escola de Voo Livre solicitar à Federação Portuguesa de Voo Livre (FPVL) a emissão da licença de aprendizagem para o aluno e respectivo Seguro Desportivo (opcional caso haja seguro de coberturas idênticas ou superiores aos estabelecidos por lei). Um indivíduo que pretenda tirar um curso de parapente, só é possível ficar federado se frequentar uma escola filiada à FPVL e concluir com aproveitamento o curso. Deverá certificar-se se a escola possui um Instrutor Nacional possuidor de licença válida emitida pela FPVL e respectiva equipa de instrução. Este aspecto deve ser uma das preocupações que todo o aluno deve assegurar antes de iniciar um curso de parapente, se não se certificar sujeita-se a gastar dinheiro sem poder ser federado em virtude de existirem escolas que não estão filiadas.

Níveis de progressão na formação de parapente:

Existem cinco, até ao terceiro nível a evolução é relativamente rápida, a partir deste nível o processo de evolução é mais lento. No primeiro nível o piloto aprende manobra no solo e faz voo baixo; o segundo nível consiste em fazer voo planado directo, no terceiro nível (voo em ascendência dinâmica), o qual quando termnado permite ao piloto ficar a voar autónomamente.

Piloto autónomo:

A prática de parapente envolve um longo percurso cheio de etapas, das quais o piloto deve ter uma formação rigorosa de forma que consiga aliar os conhecimentos teóricos à prática. Um piloto após terminar o terceiro nível é considerado piloto autónomo, ou seja; mediante a formação que recebeu consegue avaliar as condições de voo, descola e aterra sozinho em segurança sem o apoio do instrutor e consegue fazer voo de permanência junto a uma falésia. É aconselhável ao piloto depois de concluir o terceiro nível, ser acompanhado pelo o instrutor ou pilotos mais experientes durante muitas hora de voo. A capacidade dos pilotos se considerarem seguros para voar está sujeita ao desenvolvimento de quatro importantes qualidades: conhecimentos teóricos, destrezas técnicas, experiência e espírito aeronáutico.

História do Parapente

Como nasceu o Parapente:

O parapente, como aeronave, descende em linha directa do paraquedas-asa, inventado nos anos 50 pelos engenheiros da NASA como meio de descer naves espaciais após a sua entrada na atmosfera. Este e muitos outros inventos foram na altura abandonados, dando lugar aos paraquedas circulares, vindo a ser descobertos pela aviação desportiva dezenas de anos mais tarde.

Em meados dos anos 80 nos alpes, alguns paraquedistas franceses experimentaram saltar em paraquedas-asa, descolando em corrida a partir de vertentes bem acentuadas. Esta curiosa e simples forma de voar tornou-se moda das regiões alpinas, convencendo e fascinando montanhistas, paraquedistas, esquiadores e voadores. Fazendo nascer então aeronaves especificamente destinadas a este desporto.

A partir dessa data e até aos nossos dias o parapente não parou de evoluir, passando em poucos anos de um ângulo de planeio de 3-1 para 11-1; ou de um afundamento de 3 m/s para 1 m/s; possibilitando percorrer distâncias impensáveis, como é o caso do actual recorde mundial estabelecido por Aljaz Valic em Dezembro de 2006, com um voo de 426,8 kms em De Arr, África do Sul.

Mas o trabalho mais importante foi efectuado ao nível da segurança e da estabilidade dos modernos parapentes, dando destaque ao conceito de performance em segurança das asas intermediárias, tornando o parapente acessível a um número cada vez mais alargado de adeptos.



História do Parapente em Portugal

O parapente Surge em Portugal por volta de 1987, com a notícia dos primeiros voos efectuados por Manuel Pombinho. Em Mondim de Basto o Sr. Albano foi fazendo também alguns voos com pára-quedas transformados que trouxe da França. Em Vale de Unhais voou pela primeira vez o Luís Miguel Matos e depois, o Américo Sousa no Marão.

O 1º curso de pilotos em Portugal ocorreu em Setembro de 1989 promovido pelo Manuel Pombinho. Em Agosto de 1989 o Gil Gonçalves tirou o curso em Espanha, por sua vez, o Gil ensinou em Janeiro de 1990 o Vítor Baía.

O Clube Vertical nasceu em Janeiro de 1990 dando o seu primeiro curso em Abril e outro em Junho onde foi titulado o Heitor Araujo, para já detentor do recorde nacional não oficial de voo em distância bilugar com 87 Kms.

Em 8 de Julho de 1990 os praticantes criaram a Comissão Nacional de Voo em parapente (CNVP) dentro do Aero Club de Portugal actualmente ainda membro da FAI no âmbito do parapente. nessa altura surgiram vários clubes, organizações e algumas escolas que pouco a pouco, contribuíram para o desenvolvimento do Parapente.

Em 1991 foi organizada a primeira competição no Alentejo em "Mértola.

Em 15, 16 e 17 Agosto de 1992 ocorreu o "1º Open de Linhares da Beira" organizado pelo Inatel com o Vítor Baía como director de prova.

Em 1992 a CNVP realiza o primeiro curso de instrutores de parapente e a modalidade passa a ter um calendário com provas organizadas anualmente.

No memorável dia 3 de Agosto de 1994 foi batido, por quatro parapentistas, o record europeu de distância em Linhares da Beira. Nessa tarde quatro parapentistas fizeram 165, 184, 201 e 203 km catapultando esta linda aldeia para o top dos melhores locais de voo em Parapente da Europa! Escusado será dizer que o nosso país tem excelentes condições para a prática da modalidade.

Em 1995 o parapente autonomizou-se e foi criada a Federação Portuguesa de Voo Livre que aglutinou os clubes e passou a regular a modalidade no âmbito desportivo, tornando-se o orgão responsável pelas modalidades de Parapente e Asa delta.

Apesar do Estado ter tentado disciplinar a modalidade em 1990 com o Decreto-Lei 71/90 de 2 de Março e a portaria 95/94 de 14 de Janeiro, tal documentação revelou-se mais vocacionada para os ultraleves e pouco apta para regular as características próprias do voo livre.

Entretanto, o Decreto Lei 238/2004 pelo seu art. 51/4 veio reconhecer as titulações de instrutores e de pilotos pelo INAC (entidade competente para regular o espaço aéreo nacional incluindo no âmbito desportivo). À legislação desportiva está a complementar-se a legislação aeronáutica com a FPVL como mediadora.

Perguntas frequentes

:: O que é o Voo Livre?

O voo livre agrupa um conjunto de disciplinas cujo objectivo comum é voar utilizando as forças da natureza e recorrendo à força do próprio piloto para descolar e aterrar. Estas disciplinas são a Asa Delta e o Parapente.

As primeiras tentativas do homem voar com asa de estrutura rígida e movidas pelo impulso de um homem, ocorreu no fim do séc. XIX pelo engenheiro alemão Otto Lilienthal.

A Asa Delta com desenho próximo ao actual foi inventada e testada em 1963 pelo Australiano John Dickenson baseado na asa Rogallo. Os parapentes foram desenvolvidos a partir da decada de 60, mas só chegaram à Europa em 1978, altura em que se começou a praticar o voo livre em zonas montanhosas.

Os longos anos de evolução por que passaram estas disciplinas, o crescente aumento do conhecimento científico neste domínio e o surgimento de novos materiais de alta tecnologia têm consolidado estas disciplinas como as mais divulgadas da aviação.

Os riscos inerentes a toda a actividade aérea existem também no voo livre. No entanto, a experiência adquirida ao longo dos anos, a qualidade de ajuste e o rigor dos procedimentos de certificação das aeronaves e o conhecimento adquirido em termos do ensino contribuíram grandemente para o aumento de segurança destas modalidades desportivas e de lazer.

O voo livre é um desporto sem paralelo, já que voar era o sonho mais antigo do Homem, agora é uma paixão.

:: Que tipos de aeronaves de voo livre existem?

Existem dois tipos de aeronaves para praticar voo livre: Asa Delta e Parapente. Ambos se baseiam nos mesmos princípios aerodinâmicos, mas são contudo diferentes:

  • A Asa Delta é uma aeronave fabricada com alumínio, fibra de carbono e tecido. O piloto voa deitado suspenso sob a aeronave que é dirigida pela deslocação do seu corpo no interior do trapézio. A velocidade de voo varia entre 26 e 130km/h.
  • O Parapente é um derivado longínquo do pára-quedas. Ele transporta-se às costas dentro de um saco que contém todo o material necessário. Esta modalidade tem tido um progresso extraordinário tanto em termos de segurança, como de performance. Os Parapentes tem velocidades entre 25 e 60km/h.
  • As Asas Rígidas são engenhos semelhantes a asas delta que descolam pelo pé do piloto mas com uma estrutura rígida e tem uma performance mais elevada porém com um custo também mais elevado. O seu controlo não é feito com a deslocação do peso mas por movimentação de superfícies aerodinâmicas à semelhança do que ocorre com os planadores.

O parapente tem a vantagem de ser mais leve e de fácil arrumação, a sua aprendizagem é mais rápida, descola e aterra mais lentamente e em locais mais pequenos. O parapente por vezes pode subir mais rapidamente em correntes ascendentes mais estreitas, devido à sua reduzida velocidade e ao facto de rodar mais apertado.

Asas delta e parapentes normalmente partilham o ar em harmonia. Ambos são capazes de voar longas distâncias. A asa delta tem a vantagem de ser mais rápida por isso conseguir descolar e voar numa gama mais larga de ventos (0-50 km/h) e possuir maior coeficiente de planeio (até 1:19) o que lhe permite percorrer maiores distâncias.

:: Quais os limites de idade para os praticantes de voo livre?

As idades dos praticantes de voo livre variam desde os 16 anos a octogenários. Pode-se dizer que os limites são mais mentais que físicos. Se alguém for suficientemente maduro para tomar decisões que afectem a sua segurança e tenha bons reflexos então terá provavelmente condições razoáveis para poder voar. Como voar depende mais do balanço que da força bruta, tanto mulheres como homens podem praticar de igual modo. Embora normalmente qualquer piloto de qualquer altura possa voar, os limites estão de certa forma dependentes do equipamento utilizado. Existem também asas de tamanhos personalizados, para pilotos cujo peso tenha uma maior variação relativamente aos parâmetros "normais" - não é o peso que determina quem pode ou não voar. Tão ou mais importante do que estar fisicamente preparado, é estar mentalmente preparado. Para se fazer voo livre é necessário pensar com clareza e saber escutar os conselhos dos pilotos mais experientes.

:: Onde se pode voar?

Um pouco por todo o lado: Voa-se no litoral junto à praia em ascendente orográfica. Voa-se no interior do país, em montanha, com ascendente orográfica e térmica, onde existem muitos locais de voo mantidos pelos diferentes clubes/escolas de voo livre, com descolagens e aterragens oficiais. Também se voa na planície com recurso a métodos mecânicos de traccionado e rebocado onde se pode subir largas centenas de metros em questão de minutos.

:: O que são térmicas?

A aerologia é um mundo invisível que desenvolve forças consideráveis. O adepto do voo livre encontra na aerologia um aliado mágico: a térmica. Trata-se de uma corrente de ar quente ascendente que permite ganhar altitude às aeronaves que a atravessam.

O principio é simples: o sol aquece o solo que por sua vez aquece a massa de ar que está em contacto com o solo. Em seguida formam-se bolhas ou colunas de ar quente que deixam o solo e se elevam atravessando o ar mais frio que as rodeia. Este mecanismo simples permite aos pilotos de voo livre ganhar frequentemente milhares de metros de altitude!

:: Qual é a altura e distância que podem atingir?

As asas delta e parapentes podem atingir alturas de vários milhares de metros e distâncias de varias centenas de Km. O recorde de distância em asa delta é de 703 Km. O de parapente é de 426,8 Km. Voos a alturas superiores a 2.000 metros e distâncias superiores a 50 km são comuns.

:: Porque voam o Parapente e Asa Delta?

Os princípios físicos que regem o voo do parapente ou asa delta são os mesmos que se aplicam a todas as outras aeronaves com asas. É a diferença de velocidade entre o ar que circula pelo extradorso e o intradorso que cria uma diferença de pressão gerando uma força ascendente (sustentação). Se esta força for superior ao peso da aeronave esta sobe. Este principio é conhecido como o princípio de Bernoulli.

:: O que fazer quando o vento pára?

Ultraleves, asas delta, parapentes e pássaros funcionam todos com o mesmo princípio, o da gravidade. Daí que não é necessário vento para se praticar voo livre.

Cada aeronave vai perdendo altitude ao deslocar-se, devido ao à resultante das forças aplicadas na asa. Sem vento qualquer aeronave plana perdendo altitude até chegar ao solo. À taxa de perda de altura com a deslocação para a frente é chamado de Coeficiente de Planeio que determina a performance da asa. Uma asa que percorre 15km por cada km de altitude tem um coeficiente de planeio de 1:15.

:: Até que ponto é seguro?

O parapente e a asa delta são considerados "desportos com algum risco" tal como o surf, queda livre, mergulho, escalada, etc. Como tal, é importante uma boa formação técnica para contornar os riscos.

É importante um bom treino da mecânica de voo, meteorologia, pilotagem, procedimentos de emergência e avaliação pessoal dos riscos. As asas são testadas segundo standards, passando por um processo de verificação da estrutura e aerodinâmica da asa, com o intuito de determinar o comportamento geral e maneabilidade do aparelho.

A maior variável a considerar é o piloto. Se a formação recebida for boa com uma progressão lenta, se se praticar um tipo de voo cauteloso, em condições atmosféricas adequadas e com equipamento bem conservado a probabilidade de existirem acidentes é muito reduzida.

:: É um desporto assustador?

Em regra geral, quando praticado não é assustador, mas sim bastante excitante, para além de se desfrutar de uma sensação de tranquilidade e paz! Quando se torna assustador é sinal que se está a fazer algo errado.

:: Para voar é necessário uma licença?

Sim. No nosso país, tanto os pilotos de parapente como os de asa delta necessitam de estar federados para poderem ter a sua licença renovada anualmente. O órgão que tem a tutela do voo livre em Portugal é a Federação Portuguesa de Voo Livre, a qual, entre muitas outras funções, emite as licenças de voo e de aprendizagem, certifica os instrutores e garante seguros de acidentes pessoais e de responsabilidade civil para os pilotos federados.

:: Como aprender a voar?

Uma coisa é certa: o voo livre não se aprende sozinho! Ao contrário de alguns outros desportos, as consequências da aprendizagem por meios próprios/autodidacta ou através de "amigos" pode ser desastrosa.

Aprender a voar é fácil na condição de se ser enquadrado por técnicos competentes. Nada é mais simples que aprender a pilotar um parapente ou uma asa delta, mas o voo livre é uma disciplina que tem uma componente teórica importante. É necessário aprender com os experientes que impedirão que se cometam erros, frequentando um curso de iniciação.

:: Quais deverão ser os primeiros passos para quem se quer iniciar no voo livre?

Existe em Portugal uma rede de Escolas de voo livre com instrutores profissionais experimentados que têm métodos de ensino garantidos pela FPVL.

:: O que devo procurar numa escola?

A escola deve estar certificada pela FPVL, deve utilizar instrutores certificados e métodos de ensino aprovados. Deve procurar saber referências. Converse com o instrutor: a relação do piloto com o seu instrutor é fundamental para uma boa transmissão de conhecimentos, para que se produza reflexão em cada passo, cada voo, e para que as dúvidas suscitadas sejam esclarecidas. Desta relação de confiança resultarão os melhores e os mais profícuos voos.

:: Quanto custa?

Parapentes e Asas delta novos podem custar desde 1500 a 4000 Euro, o arnês entre 200 a 500 Euro, capacete de 50 a 75 Euro, pára-quedas de reserva de 300 a 400 Euro. O equipamento usado pode custar de 750 Euro para cima, dependendo da idade e qualidade do produto. É importante assegurar-se sempre que o equipamento é apropriado para o nível de voo desejado.

A maioria das escolas e vendedores de equipamento comercializam equipamento de qualidade e levam a efeito inspecções e testes antes da sua venda. O instrutor é a pessoa que poderá analisar melhor as suas capacidades. Depois de tirar o curso, consulte-o para saber qual o equipamento na altura da compra.

Actualmente já existe um interessante mercado de asas de 2ª mão em boas condições de segurança, o que facilita a vida a quem vai começar e não tem muita disponibilidade monetária.

:: Qual a altura máxima a que um Parapente pode voar?

A altura máxima depende das condições nas quais é feito o voo. Já foram realizados voos de mais de 700 Km e atingidas altitudes acima dos 6 mil metros.

:: Quanto tempo dura um voo de Parapente ou Asa Delta?

Novamente, a duração do voo depende das condições. Um voo a grandes altitudes pode durar várias horas. Em dias bons, os pilotos só têm mesmo que aterrar quando o sol se põe.

:: Onde podem os Parapentes levantar voo?

Os Parapentes podem levantar voo e aterrar basicamente em qualquer encosta que tenha relativamente poucos obstáculos, seja suficientemente inclinada e esteja virada ao vento. Basta apenas que o piloto corra pela encosta abaixo e que levante voo quando a velocidade do ar atinja os 25/30 Km/h. No caso de a decolagem ser feita com a ajuda de um reboque ou de um guincho fixo ou um aeroplano, já não é necessária a existência de uma encosta.

:: Onde podem os Parapentes aterrar?

O local de aterragem depende da habilidade do piloto. Um piloto experiente deve ser capaz de aterrar com segurança em qualquer sítio que seja plano e sem obstáculos, maior que 15 por 65 metros. Estas medidas podem variar ligeiramente, consoante as condições do terreno e o vento.

:: Os Parapentes são seguros?

Os Parapentes são tão seguros que qualquer pessoa pode voar neles. Como qualquer desporto, o Parapente pode ser uma actividade perigosa se for praticada de forma desadequada e descuidada, não respeitando as regras de segurança básicas.

:: Entre que temperaturas se pode praticar Parapente?

Os praticantes de Parapente voam desde as temperaturas negativas de Inverno até às quentes temperaturas de Verão. Genericamente não existem limitações, mas também convém não tentar voar em condições atmosféricas muito adversas.

:: Será que é necessário muito vento para o Parapente levantar voo, voar ou aterrar?

Um Parapente pode levantar voo, voar e aterrar com ventos de 0 a 30 Km por hora com segurança. O ideal são ventos entre 5 e 25 Km/h, dependendo do local de voo. Esta questão da velocidade do vento perde importância relativamente ao controlo que o piloto faça da velocidade do ar no Parapente.

:: A prática do Parapente é fisicamente desgastante?

Quase toda a gente consegue voar num Parapente. Qualquer pessoa que consiga aguentar um peso de 20 quilos em cima dos ombros facilmente aprenderá a voar. Enquanto que em condições normais para voar não é necessária grande força, já em voos de longa duração em condições turbulentas é requerido um grau moderado de preparação nos membros superiores do corpo.

:: O Parapente é uma modalidade perigosa?

Sendo uma modalidade de elevado potencial de risco, não quer dizer que seja perigosa. Desde que os riscos sejam conhecidos e estejam correctamente identificados, se respeitarem os nossos limites e os limites do voo propriamente ditos não corremos qualquer risco, e acho ser este o grande papel das escolas, alertar e educar os futuros pilotos para que nunca subestimem os riscos inerentes à modalidade, tal como na aviação comercial o risco existe, mas no entanto não deixa de ser o meio de transporte mais seguro.

:: O parapente é o mesmo que queda livre, pára-quedismo ou "pára-sailing"?

Não. Embora os primeiros parapentes eram muito similares aos pára-quedas, ao longo do tempo sofreram uma grande evolução. O Parapente é lançado através de força pedestre, não há nenhum salto como no pára-quedismo.

Os parapentes actuais são muito maiores apresentando entre 40-70 células, em oposição às 7-9 dos paraquedas. As linhas e a asa são feitos de materiais muito diferentes, e são projectados para terem um maior ângulo de ataque (ângulo que em que a asa encontra o vento) para aproveitar melhor a sua capacidade de planar.

O "Pára-sailing" é rebocado estaticamente por um barco e tem uma forma arredondada. Não pode ser considerado voar, pois não existe uma subida dinâmica e o aparelho não conseguiria voar nem ser manobrado por si só.

:: Como funciona e é fabricado o parapente?

Um parapente ou asa tem uma parte superior e uma parte inferior que são ligadas interiormente por células (ou alvéolos), que se fossem removidas teriam o aspecto do interior de uma asa de avião normal (arredondada à frente, pontiaguda atrás, curva no topo e lisa em baixo).

As células são aberturas rectangulares definidas pelas tiras e partes superior e inferior. A forma como tudo isto funciona deve-se ao movimento para a frente da asa. Desta forma o ar "é pressionado" pelas aberturas da parte da frente e como não tem por onde sair por trás, mantém uma certa pressão interna maior no interior da asa do que do lado de fora. Isto cria uma estrutura rígida.